MELHORES LEITURAS DE 2024, POR MARCÃO MACIEL

MELHORES LEITURAS DE 2024, POR MARCÃO MACIEL

Minha lista de melhores de 2024 pode surpreender quem me conhece e costuma acompanhar o que escrevo na Raio Laser. Isto porque seria esperada grande presença de quadrinhos chilenos e desta vez só tem dois. O escasso número de artigos meus no blog passa a impressão de que estou numa fase monotemática e isso não deixa de ser verdade, já que, ultimamente só faço falar dos gibis e da cena quadrinística da pátria de Neruda. Mas bem, aparências podem ser enganosas e a lista abaixo mostra que consegui manter um bem-vindo ecletismo geográfico. Tem gibi do Canadá, do Brasil, da Espanha e até mesmo de centros não tradicionalmente lembrados quando o assunto é a nona arte. Falo, claro, da HQ turca Diário Inquieto de Istambul, fruto da sofisticada curadoria da editora Comix Zone, que arrisca investir em autores praticamente desconhecidos do público brasileiro. Ausência sentida talvez sejam os bons e velhos gibis de super-heróis. Não que eu tenha desgostado do gênero. Não sou do tipo que cospe no prato em que comeu, mas simplesmente não li nada que realmente valesse a pena mencionar. Enfim, chega de papo e vamos aos escolhidos, como sempre sem nenhuma ordem de preferência e com o aviso de que as listas de melhores da Raio fazem referência às leituras feitas durante o ano, seja o gibi de 1938 ou de 2024.

por Marcão Maciel

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Introdução ao novo quadrinho autoral chileno!

Introdução ao novo quadrinho autoral chileno!

por Marcão Maciel

Em 2020 publiquei AQUI uma pequena listagem de jovens autores italianos nos quais recomendava prestar atenção. Pensei em repetir a dose, desta vez falando de nomes interessantes do quadrinho chileno que por algum motivo ou por outro ainda não receberam o devido reconhecimento. Por critérios de escolha, retirei da lista artistas mais identificados com publicações de cunho humorístico e privilegiei quadrinistas com trabalho autoral.

Encontrar o quadrinho autoral chileno nem sempre é tarefa simples. Claro que quadrinistas de renome como Félix Vega, Francisco Ortega e Gonzalo Martinez têm seus espaços reservados nas livrarias da grande Santiago e arredores. Editoras como Planeta Cómic e Reservoir Books também investem nestes nomes conhecidos, aumentando sua difusão pelos espaços culturais da cidade. Outro fator de dificuldade na busca era que não bastava que o quadrinho fosse autoral, mas também teria de ser, se possível, independente: publicado sem apoio de grandes editoras e baseado primordialmente na liberdade do autor. Em outras palavras, procurava publicações que retratassem escolhas pessoais dos autores sem o controle rigoroso de editores que poderiam tentar domar a visão artística para que ela se adaptasse a um gosto médio e, assim, se mostrasse mais palatável para públicos maiores.

Talvez eu não tenha tido muita competência para encontrar grande variedade de autores, mas o fato é que depois de bater perna pelos principais pontos de revenda de livros e graphic novels, o que percebi foi uma espécie de padronização nos nomes dos artistas e dos assuntos apresentados. Isto ocorre mesmo em livrarias alternativas. Tudo bem. Todos temos contas a pagar e o trabalho com produtos culturais costuma ser movido mais por idealismo que retorno financeiro. Por isso não serei eu a apontar dedos para livreiros avessos a risco. Tampouco tive sucesso nas comic shops, que no Chile são totalmente direcionadas para super-heróis e mangá. Minhas visitas a este tipo de estabelecimento quase sempre beiraram o tragicômico, já que quando perguntava sobre autores locais os vendedores me olhavam como se fosse alienígena. 

Outro complicador era encontrar quadrinhos que fugissem do ideário ditadura chilena e seus participantes, como Augusto Pinochet, Salvador Allende e Victor Jara, deixando claro que não quero menosprezar os acontecimentos iniciados em setembro de 1973, que moldaram o Chile moderno. Eu mesmo já escrevi a respeito AQUI. Meu ponto é que gostaria bastante de ver quadrinhos que falassem de outras temáticas, como ficção científica, terror, história dos povos originários, geografia, quotidiano urbano de Santiago, narrativas de caráter pessoal e etc.

Lentamente, consegui garimpar uma coisinha aqui e outra ali. Felizmente Santiago é uma cidade rica em espaços dedicados a cultura e sempre é possível encontrar algum título diferente nos lugares mais improváveis. As feiras de quadrinhos também ajudaram bastante. Uma pena que não consegui ir em tantas delas, mas pretendo corrigir isso.

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MELHORES LEITURAS DE 2023 POR MARCÃO MACIEL

MELHORES LEITURAS DE 2023 POR MARCÃO MACIEL

E a lista dos melhores quadrinhos lidos em 2023 pela equipe da Raio Laser continua! Depois do inoxidável Bruno Porto, seguimos com a lista do cosmopolita Marcão Maciel. é ele mesmo que descreve sua seleção:

“Li coisa muita coisa em 2023. Gibi novo, gibi velho. Gibi de tudo quanto é canto e sobre os mais variados assuntos. Esta lista é um reflexo de tudo isso. Tem mangá, europeu e americanos do Norte e do Sul. Não sei o que isso significa, mas de uma coisa eu tenho certeza. Ler gibi é bom pra cacete.”

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Momento bizarro da HQ: Homem-Aranha na Bloch Infanto Juvenil

Momento bizarro da HQ: Homem-Aranha na Bloch Infanto Juvenil

Entre 1975 e 1979, o Homem-Aranha foi publicado no Brasil pela Bloch Infanto Juvenil, braço da Bloch Editores, por sua vez parte do poderoso conglomerado de mídia Grupo Bloch, que envolvia concessões de rádio, TV e publicações diversas, como as famosas revistas Manchete e Ele & Ela. O gibi do amigão da vizinhança durou 33 edições e – embora tenha feito bastante sucesso – para mim será sempre lembrado como um dos momentos mais surreais das HQs no Brasil.

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GUARDIÕES DO SUL: NEOCOLONIALISMO, ETNOGêNESE E PORRADARIA

GUARDIÕES DO SUL: NEOCOLONIALISMO, ETNOGêNESE E PORRADARIA

Para quem não sabe, um dos povos originários do Chile são os mapuche, responsáveis pela façanha de ser o único grupo indígena capaz de obter autonomia territorial frente ao império espanhol. Guardianes del Sur fala deste conflito e reúne uma superequipe formada pelos lendários heróis de carne e osso que botaram o colonizador para correr – ao menos temporariamente. Nomes como Lautaro, Caupolican, Galvarino e Janequeo simbolizam o espírito de luta e resistência de um povo que sacrificou três quartos de sua população nas campanhas de combate contra a máquina conquistadora do invasor europeu.

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Sandman: Meus dois… grãos de areia

Sandman: Meus dois… grãos de areia

A estreia da tão aguardada série de TV baseada na criação máxima de Neil Gaiman reativou o contato com um dos gibis mais icônicos de minha juventude. Não que a versão live action tenha me agradado, muito pelo contrário. O visual galã “Prestobarba” do ator protagonista – totalmente inapropriado para um sujeito marcado pelas agruras do tempo, como o bom e velho Morfeu – e um sem número de escolhas equivocadas (elenco, fotografia, defeitos especiais, para citar alguns) não me empolgaram. Mas, bem ou mal, o hype do seriado me fez rever (e reler!) a HQ encabeçada pelo mais melodramático dos Perpétuos.

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